Voltei, Recife

Voltei à cidade de Recife. Agora no sábado já farão duas semanas. Rever minha família foi a melhor parte de voltar. O cheiro da comida brasileira também, além da diversidade do prato no almoço. As chuvas estão castigando Recife, e me dando aquela preguiça enorme de sair de casa.

Porém… Todos os dias sinto a falta de Mario. Acordar olhando para a cordilheira também faz uma falta enorme. O frio dá saudade. As nossas saídas para comidas gostosas e bares divertidos. O nosso dia a dia cheio de gargalhadas. A tentativa de me expressar bem em espanhol. A felicidade, o riso frouxo. Que saudade.

Que pena, amor. Te extraño, gordito.

Cerveja Escudo e tortillas

Escrito em 28 de maio de 2015

Acordei muito cansada. Comi demais ontem! Foi bem difícil levantar, mas tem trabalho, então here we go. O céu de Santiago estava espetacular. Não tanto quanto na segunda-feira, que ainda tá no primeiríssimo lugar. Hoje estava bem douradinho, com umas pinceladas de rosa e muitas nuvens pintadinhas. Que lindo o nascer do Sol atrás das montanhas. O contorno delas deixa tudo tão incrível. Eu deveria ter tirado uma foto, mas preferi assistir ao show sozinha e sem intervenções. Também estava com uma preguiça gigantesca, confesso. Cochilei por uns instantes até despertar para começar a trabalhar.

No trabalho, foi legal conversar um pouquinho com Carlitos sobre as relações humanas e o quanto o smartphone as afetam. Falamos sobre como poderíamos melhorar a cultura olho no olho e que importa mais viver o presente e o coletivo. Ele me contou que ao sair acompanhado, costuma colocar o celular no modo avião. Ainda sobre o mesmo assunto, conversei rapidamente com Aline Campbell em sua página Portas Abertas e ela sugeria, no post, que você saísse ao menos um dia sem celular, para experimentar a diferença na sua vida social. Olha, já já completo um mês sem celular e, sinceramente? Estou viva. Trabalho com redes sociais e sei o quanto é delicioso me perder na vida virtual, mas tem que ter aquela dosagem saudável, right? E também é esperado respeitar as pessoas que escolheram estar usando o tempo delas com você. O que percebo é que estou lendo mais, escrevendo e focando mais nos meus projetos pessoais. É óbvio mesmo: as minhas atividades foram substituídas. O tempo é o mesmo para todos.

À noitinha, fizemos o almoço da sexta-feira e comemos uma mistureba de macarrão sem molho e tortillha, aliás, aprendi a fazer hoje! Eu e Junior rimos muito porque Mario não teve sucesso ao trocar o lado da tortilla, então a comida quebrou toda e não ficou tão bonita. Tentarei enganar vocês na foto, porque estava bem saborosa, HAHA.

Aliás, como fazer tortilhas: coloque as verduras para cozinhar (cenoura e brócolis, por exemplo) e misture três ovos com essas verduras prontinhas. Também cozinhamos carne moída e incluímos na massa. Coloque um pouco de salzinho e depois que a mistura estiver homogênea, coloque na frigideira com um fiozinho de azeite. A massa vai começar a ficar mais consistente e você terá que ser um Master Chef para trocar de lado, para que a outra parte também receba o fogo. É como um omelete, HAHA. Fiz uns vídeos do fracasso de Mario, farei uma edição em breve.

E ah, hoje foi o dia da primeira cervejinha chilena. Junior trouxe com gentileza e surpreendeu a gente. Junior e Mario disseram que sempre tomam uma cervejinha (gordinhos) na quinta-feira, trocam uns papos e depois vão descansar, isso para comemorar o fato de que o final de semana tá chegando. Mario contou que essa cerveja é uma das mais populares do Chile, e comparou com a Skol do Brasil. É a Escudo, amargor gostoso e corzinha dourada simples. O teor alcoólico é 5,5%, mais que os 4,7% da Skol. Só foi uma latinha, mas dormi em dois tempos, HAHA.

Estou querendo começar a cozinhar para o almoço. Alguma ideia?

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Em Santiago tem Fuente Mardoqueo

Escrito em 27 de maio de 2015

São 08:34 agora. Despertei por volta das 7:30 e depois de me higienizar e passar uns cremes no rosto, organizei um café da manhã todo lindinho para mim, com direito a pão com queijo e sem beiradinhas, estilo Heisenberg, água sem sódio, remédio para o resfriado (que é uma delícia, sério), iogurte com cereal e maçã verde. Voltei para o quarto quentinho e só fiquei de shortinho e com a blusa de mangas longas que achei na cama mais cedo, embaixo das cobertas, é claro. O quarto tem grandes portas corrediças que o separam da varanda. Sabe quando você sente que está no lugar certo e na hora certa? E além disso, você se sente agradecida por tudo? Pensei nisso quando afastei as cortinas das grandes portas transparentes e as juntei com um fio de cabo USB que encontrei. Enquanto eu provava meu café da manhã gostoso, o céu brincava com as cores claras da manhã e as montanhas faziam uns traços bonitos que contrastavam com o nascer do dia. Dia que nasce tarde, mas que já está me conquistando aos pouquinhos. Sou só gratidão nesse momento.

Larguei na horinha certa do trabalho e me arrumei, com um banho quentinho e um calefator ligado dentro do banheiro, hahaha. Coloquei as botas que tem dois números a mais que o meu e me agasalhei toda de negro, com exceção do casaquinho emprestado de Camila, que é rico, incrível e marronzinho com branco. É tão quentinho! Coloquei também um cachecol e quando Mario chegou, ficou tirando sarro de mim, já que não sei colocar direito. Vivi 24 anos da minha vida no calor, meu filho! HAHA. À noite fomos também com Junior ao restaurante que Mario prometeu me levar. O lugar vende sanduíches do tamanho do planeta Terra. São enormes e apesar de suculentos, fiquei meio tensa depois, porque é muita comida. Fiquei absorta pensando no desperdício que seria todos os dias naquele restaurante. Enfim, faz parte do marketing do lugar ter um sanduíche enorme, mas acho que rolava a gente dividir um grandão e ficar bem.

Funciona assim: você escolhe um dos tamanhos (tem o chico e o normal, e o chico não tem nada de pequeno), depois opta pelos ingredientes que vai montar o sanduíche. Vai ser carne, frango? Vai ter o famoso abacate? Cebola, tomate, alface, champignon, queijo? A cada ingrediente a mais, mais caro (e enorme) fica o prato. Para acompanhar, Junior pediu uma cerveja, mas eu e Mario optamos por um suco de framboesa. QUE DELÍCIA! Eu poderia tomar uns três copos e comer ¼ do sanduíche que chegou. O restaurante se chama Fuente Mardoqueo e está espalhado por Santiago em mais dois bairros além do qual fui, em Libertad. Eu A D O R O restaurante que expõe a carta no site, porque você pode se precaver no pedido e também nos gastos, não é? Tá aqui para quem quiser ir. A decoração do local é super aconchegante, com vários objetos presos nas paredes e uma iluminação amarelada bonitinha para tirar fotos. Dica para quem for brasileiro, pedir abacate no sanduíche (pô, você tá no Chile, né?) e comer devagar: o abacate vai ficar frio e não tão suculento quanto no início. HAHA <3.

Quando eu estava quase na metade do sanduba monstro, me surpreendi com Joako e Dani! Eles chegaram sem avisar e todos sabiam, menos eu, é claro. Devem ter se aproveitado do fato de eu não ter mais celular nem whatsapp, hahaha. Foi bem lindo reencontrar os dois, que tanto me ajudaram da outra vez que vim ao Chile, no começo do ano. Conheci esse casal em 2013, em um hostel de 8 camas no Rio de Janeiro, quando estava lá por Muse, no Rockn’rio.

A amizade durou virtualmente e em janeiro de 2015 eles me receberam de braços abertos. Foi bem foda a experiência. Me sinto muito próxima dos dois, e muito agradecida também.

Quando todos terminaram de devorar aquela comida farta, descansamos um pouco e pedimos para a garçonete tirar uma foto nossa. Ficou desfocada e nem todos saíram bem, mas foi com carinho, haha. Voltamos para casa com uma barriga enorme e uma digestão que duraria toda a noite.

E aí, tá com muita fome?

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La felicidad es real solo cuando es compartida

Preciso escrever isso para lembrar do quanto foi libertador assistir ao filme Into The Wild. Não só pelo conteúdo do filme que em si é fortemente reflexivo. Eu e o filme temos uma história a mais.

Sei que todas as pessoas do universo já viram esse filme, e eu sou muito feliz por vocês. Mas eu tinha um trauma de alguns anos que me impedia de começar a ver esse longa. Já baixei o filme e ele ficou lá no meu notebook, como um fantasma, sempre incomodando visivelmente, no meio de outras pastas que eu usava. Nunca tive coragem de passar por esse bloqueio emocional e dar um clique. Nunca até o dia 24 de maio de 2015.

Foi como um divisor de águas, como alguns que senti nesse ano de 2015. Vi que eu já estou bem e no caminho certo. Que já não sinto mais dor, não sinto mais tristeza pelo futuro. Eu sou feliz pelo agora, in this life. Tudo está diferente, eu estou. Independente do que aconteça daqui para a frente, eu sei que não estou mais presa, não estou mais refém de algo improdutivo, sem emoção. Estou vivíssima de novo. E eu quero muito viver.

O protagonista com sua história real me mostrou o que eu já sabia. É preciso compartilhar a felicidade com as pessoas, só assim ela é real, não se engane. Mas ó, não são com todas as pessoas. Nem todo mundo quer estar ao seu lado. E isso pode ser sorte sua. Além disso, Chistopher McCandless demonstra o desprezo pela superficialidade da relação humana. É uma fuga na qual aprendi a lidar desde o ano passado. Eu achava que todas as relações humanas tinham futuro e eram importantes, mas você precisa ser mais seletivo, menos ingênuo. E mais corajoso. Desapegar é um exercício importantíssimo e life changer. Saiba que o desconhecido pode vir com umas reviravoltas inimagináveis. E pasme: com mudanças positivas.

Em um dia você pode mudar sua vida, em duas semanas o seu coração.

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Primeira refeição: sushi, claro!

Escrito em 23 de maio de 2015

No dia em que desembarquei em Santiago, Mario me buscou no aeroporto e para a minha calmaria já estava me esperando quando cheguei. Sei que o valor do estacionamento de aeroportos é sempre um absurdo de caro, como grande parte dos custos que envolvem aquele negócio de quatro rodas, mas é tão impagável ser recebida assim que você chega no lugar! É uma sensação muito boa.

O caminho até a comuna de San Miguel é rápido, sobretudo em um sábado e na autopista. A velocidade aqui de 80 quilômetros é como os 60 km de Recife. É normal passar dos 100km se estiver na faixa da esquerda. As pistas são perfeitas e até agora não vi ninguém com barbeiragem. Três ou quatro vezes ao passarmos em alguns pontos, o carro de Mario apitou baixinho. Ele explicou que a autopista é paga. É como o pedágio que pagamos para chegar mais rápido a Porto de Galinhas: nem parece Pernambuco. Como é algo comum, os chilenos já compram um equipamento que debita automaticamente ao passar nos pontos pagos. Caso você não esteja disposto a gastar dinheiro, existem rotas alternativas que são geralmente menos cuidadas e com mais trânsito.

Depois de organizar minhas roupas e esvaziar a mala de 21,9 quilos, já tinha bastante fome e por isso optamos por um restaurante simples de sushi ali perto. Ai, que frio! Entramos no pequeno restaurante e tinha uma televisão alta falando notícias da cidade. Ainda não consigo me acostumar com os jornalistas falando em espanhol. Imagina uma pessoa sensacionalista, agora adiciona espanhol no idioma. É um escarcéu! HAHA.

Pedimos sushi de abacate (eles amam isso aqui, vocês sabem, não é?), sushi de queijo e outro de palmito. Dentro dos sushis vieram algumas frutinhas, salmão maçaricado e frango cozido. Ok, vamos provar! O sushi de palmito era bom, mas eu nunca fui fã dessa comida. Então dei mais atenção ao de abacate (ai, e não é que eu adoro?) e o de queijo, que estava muito saboroso. Para acompanhar, ele pediu uma Coca-cola, mas eu não quis nada. Tudo estava bem lindo, exceto pelo fato de meu resfriado ter piorado, pois já era noite. Eu estava daquele jeito meio patético comendo e respirando, de forma alternada, e meus olhos lacrimejavam a cada instante, sabe? Bem elegante! Voltamos para casa de barriga cheia e um arsenal de remédios chilenos me esperava.

E aí, servidos?

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Martes con juego de luces

26 de maio de 2015

O dia se arrastou um pouquinho. Teve muita coisa do trabalho pra fazer, mas dei um tempinho na hora do almoço, quando comi a metade do prato que Mario tinha feito na noite anterior. Que bênção esse menino cozinhando para mim! Amém, senhor! HAHA. Depois de comer o macarrão com carne moída e muita verdura, voltei para os afazeres.

Umas 18:20 ele chegou e aproveitei pra jantar o restante do prato, enquanto ele comia um pão com queijo. Depois de descansar, fomos à Plaza de la Aviación, que fica na comuna Providencia. Aqui tem um monumento grande que foi inaugurado em 1980 e uma imponente piscina com mais de 100 jatos de água com seus respectivos jogos de luzes. É bem bonito e não custa nada, não é? O show de luzes funciona todos os dias do ano, a partir das 19h. Para quem não tem muito tempo, dá para incluir a praça com outro passeio logo em seguida, você só precisa ficar uns 5 minutinhos. Como gosto de observar as pessoas da cidade, adorei passar um tempinho a mais, sentindo o friozinho e vendo os casais espalhados pelos bancos.

Ei, é lindo. E naturalmente mais frio que outros pontos da praça, então se agasalha quando for!

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